segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Crise de Crédito

Desde abril os empréstimos bancários nos EUA começaram a ter crescimento negativo quando comparado com os dados mensais do mês anterior, sendo que as exigências para novos empréstimos estão no pico histórico de todos os tempos.
No momento em que os EUA anunciam a 10ª falência de banco no ano, o Federal Deposit Insurance Corp(FDIC), autoridade reguladora que supervisiona os bancos, declara que os EUA podem assistir à falência de até 300 bancos nos próximos 3 anos, sendo que 117 instituições já estão em sua chamada lista problemática, a equipe da consultoria Britânica Begbies Traynor, por sua vez, estima em apenas 100 bancos falidos nos EUA até 2011.
Elucubrações à parte, o fato é que os bancos americanos e europeus terão que se virar para pagar centenas de bilhões de dólares que tomaram antes do aperto de crédito. Uns estão vendendo ativos, outros estão emitindo dívidas mais caras, o problema é que esses recursos estão secando. Só para citar um exemplo o gigante Lehman Brothers já perdeu 85% de seu valor de mercado desde o início de 2007, e já se desfez de posições avaliadas em US$ 140 bilhões somente no primeiro trimestre deste ano, e mesmo assim, já há quem fale que trata-se da bola da vez.
A recuperação global só virá quando os bancos se livrarem de todos os seus títulos podres, acabando com o aperto brutal de crédito, e isto, ninguém sabe quando ocorrerá.
O fato inequívoco a ser observado é que em todo o mundo o crescimento está se reduzindo e logicamente a demanda por commodities também se reduzirá. Como o índice de nossa bolsa é composto em mais de 50% por ações que transacionam commodities, não há como enxergar um horizonte promissor para nossas ações, portanto, muita cautela com ações desse tipo, conforme havíamos alertado em 28 de julho deste ano, no artigo “Aversão ao Risco”.

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